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Laura Kinsale - Flores na Tempestade



Vossa Graça e a Moça dos Tus


Estou um pouco perdida ao começar esta resenha, porque tudo que já escrevi sobre outros livros de alguma maneira não se encaixa aos meus sentimentos em relação à "Flores na Tempestade".

À medida que for escrevendo sobre esta história digna e revelante, vou liberando trechos que se auto-explicam e poderão dizer mais sobre esta poderosa história do que eu jamais poderia.

"Cama, mão atada, pés amarrados... amarrado 
como um por-co-ani-mal gordo e rosado...
 rabo encaracolado. Palavra desaparece, 
desapa­rece, sempre... afasta-se."

Christian é um homem nobre, de título importante, nada menos que um duque, que foi agraciado com o dom de uma inteligência ímpar, de fato um gênio da matemática.

Tudo em sua vida ia perfeitamente bem, com todas as regalias e depravações tão acessíveis para a nobreza britânica do século XIX, até que em um golpe do destino (ou o peso da mão do Senhor, como uns pensavam) ele vê-se enjaulado em um sanatório, incapaz de articular palavras com coerência e dar voz a seus pensamentos caóticos.

Na verdade, esse pobre homem sofrera um derrame e como seqüela a fala foi comprometida. Os recursos médicos da época o condenaram à um diagnóstico de loucura e incapacidade mental.

"touca modesta, pestanas de sereia, virtude, donzela.
A rapariga sorriu. Foi como um amanhecer entre as sombras.
 O coração moveu-se-lhe. Sentiu-se apaixonado,
 imerso na agonia da paixão."

Depois do cárcere humilhante, a única pessoa a lhe dar uma luz de esperança e compreender que havia um raciocínio coerente preso naquelas brumas de desentendimento e palavras desconexas foi Maddy, uma donzela simples, praticante da Sociedade dos Amigos, ou Quaker, uma denominação protestante.

Para entendimento da personalidade de Maddy:

Sociedade dos Amigos (Quaker)crêem- que todo indivíduo é capaz de sentir Deus diretamente, sem intermediário algum. Todos têm uma Luz Interior: o Espírito Santo, que guia o indivíduo quando este se converte e aceita essa voz.
A Bíblia seria o testemunho dessa Palavra. Alguns quakers têm-na como única influência.
Adotam modos de vidas simples: sem valorizar roupas caras, distinção de classe social, títulos honoríficos ou gastos desnecessários.
Igualdade – existe um forte senso de igualitarismo, evitando discriminação baseada em sexo ou raça. (Os quakers foram notáveis abolicionistas e feministas). As mulheres tiveram direitos iguais e participação dos cultos quakers desde o século XVIII.
Honestidade – recusam jurar, conduzir negócios obscuros, atividades anti-éticas.
Ação Social – organizações como o Greenpeace e a Amnistia Internacional foram fundadas pelos quakers e são influenciadas pela ideologia da Sociedade dos Amigos.
Pacificismo – os quakers se recusam a usar armas e violência, mesmo em defesa alheia.

Em virtude de tais regimentos de sua fé, ela acredita que recebeu uma revelação ao perceber que o duque na verdade está incapaz de falar com clareza mas que compreende o que lhe é dito se falado pausadamente e que raciocina, não está louco.

Ela toma como missão impedir que voltem a trancá-lo em um manicômio. E para cumprir seu propósito ela desafiará suas convicções e enfrentará seus dogmas, para mantê-lo a salvo e no meio de tanta força, apaixonará-se, perdidamente, pelo pecador, mundano e infiel Christian...

"Aban­donar desaparecer desertar de mim. Maddy! 
Deixar-me isto, deixar-me animal defender luta animais dentes punhos. 
Selvagem! Maldita sejas maldita sejas Missmaddy. ABANDONASTE-ME!"

Os pensamentos caóticos de Christian, dependem inteiramente da serenidade e da paz de Maddy para recuperarem-se, e ele de fato aprende a amar além do amor físico, além do falado, aprende a amar como se deve: sentindo...

"MissMaddy... serena e sensata, nunca olhando para trás,
sempre enxergando o que está a frente. 
Da próxima vez será melhor, Christian... ela dizia...
 Te sairás melhor da próxima vez."

Sabe o que é mais lindo e marcante nesta história? É que não há amor a ser descoberto ou revelado, ele já está ali presente em cada página, em cada conquista do duque, em cada dúvida ou receio de Maddy, em cada empecilho, cada desafio e barreira. Eles estão unidos, o livro todo, um precisando e aprendendo com o outro.

Ao contrário de tantos livros em que a falha de comunicação é burra, aqui ela é sofrida, ela precisa ser superada, ela é uma constante, ela é a doença e a cada descoberta, há uma cura.

Não achei que Maddy, por estar dividida entre os dogmas de sua fé e sua paixão, seja hipócrita, eu a achei sobretudo humana, verdadeira. Não uma dessas heroínas de padrões morais e de coragem inatingíveis que nos fazem parecer pequenas e egoístas; ela é o que todos nós somos: um poço de incertezas, indas e vindas, erros e acertos, pecado e contrição.

As cenas de amor deles, acredito que tenha sido desafiador para a autora escrever, pois havia um fio tênue de religiosidade que poderia ser quebrado e vulgarizado por uma descrição muito crua e sem cuidado. Sem dúvida, uma escritora de talento e sensibilidade.

"...Recebi de Deus a missão de te amar, 
sem outra obrigação além de amar..."

"É impossível, somos um acidente no tempo e no espaço, 
dois mundos que colidiram."

"Porque tens que dominar tão bem estes prazeres carnais,
 e porque me mexo e contorço incendiada sob o teu corpo? ...
Deixa de me beijar, para já, mas quero, quero, quero..."

"O coração dele batia, como que soando:
 minha! Minha! Minha!"

E para encerrar esse desabafo de elogios e gratidão por ter tido a honra de conhecer uma história tão bela, digo que há uma grande lição por trás da trajetória do casal. Amar a Deus sobre todas as coisas, não é ser religioso, dogmático é ser: honrado, fiel aos princípios e consistente em suas palavras, seguidor da verdade.

"Quando minto, deixo de fazer a vontade de Deus, para realizar a minha"

"- Ajudarme! - gritou Christian àquela fachada inexpressiva e 
lacri­mosa. - Deus... mandou... amar-nos. 
Só uma obrigação... amar-nos! Duquesa!

Maddy moveu os lábios e umedeceu-os.

- Não... acreditas? - perguntou Christian. - Pensas... 
que és... uma pequena quaker... mansa e dócil? -
 Outra gargalhada selvagem ergueu-se até às vigas do teto. - 
Obstinada... segura... orgulhosa... opiniosa... mentirosa. 
Não se inclina perante o rei, maldita seja. Entra... na cela do louco... 
de cabeça erguida... sem medo. Poderia ter-te matado... 
Maddy. Matado uma centena de vezes.

- Era uma revelação - sussurrou ela.

- Eras tu - disse Christian. - Tu, duquesa."

Uma linda história de amor, superação e respeito pelas diferenças.
Que pena que terminou...





Sobre a autora da resenha: Dayane Ribeiro, balzaquiana e feliz por isso! Apaixonada por palavras, não sei o que mais me preenche o espírito, se ler ou escrever, ou ainda escrever sobre o que li.Mãe, esposa, filha, profissional. Mulher brasileira, multifuncional e é claro... um tantinho nerd.

E-mail de Contato: dayaribeiro81@gmail.com
Para conhecer uma coletânea de contos de sua autoria AQUI.

Além disso, a Dayane publicou pela Perse recentemente seu livro Apenas Ensina-me, para conhecê-lo acesse o livro no skoob AQUIpara comprá-lo acesse AQUI.


Dayane, agradecemos muito por sua disponibilidade em resenhar para o blog!
Aguardaremos outras participações, heim?


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Comentários
13 Comentários

13 comentários:

  1. UAU. Depois desta resenha não acredito que haja alguém que não tenha ficado com uma enorme vontade de ler este livro. Resenha muitíssimo bem escrita, vou com certeza procurar este livro para ler.

    Beijos

    Amigas entre Livros

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  2. Opa, Opa, Opa, nobreza britânica do século XIX? Agora eu quero ler! Eu gostei, amo livros assim e esse parece ser bem gostoso de ler. E esses diálogos? Adoro, amo mesmo *-*

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  3. Nossa, amei a resenha e to aqui imaginando o quanto o livro deve ser bom
    Gostei bastante e parece uma linda estoria de amor em que se envolve Deus, uma coisa que eu nunca tinha visto antes nos livros

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  4. Esse livro está aqui, naquele formato não mencionável, esperando para ser devorado.

    Fiquei louca por ele.

    Beijocas

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  5. Dayane, que lindo!
    Fiquei emocionada lendo a sua resenha, você conseguiu transmitir todo o seu amor pelo livro, e como o amor é maravilhoso, sob todas as formas, não é?
    Necessito esse livro!
    Beijos... Elis Culceag.
    www.arquivopassional.com

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  6. Essa resenha é para apaixonar qualquer leitor! Estou encantada pelo livro e é a primeira crítica que eu leio dele. Eu qro!

    Vai direto para minha wishlist!

    BjoO
    Pri
    Entre Fatos e Livros

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  7. Uma linda capa e um enredo que parece nos grudar até o fim
    Bjs, Rose.

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  8. Linda resenha!
    Já era doida para ler esse livro e depois da sua resenha fiquei com mais vontade.
    Parece ser uma história linda de fazer chorar.
    Quero muito ler.
    beijos.

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  9. NOSSA! QUE LIVRO!

    Fiqueeeeei louca para ler!

    =D
    bj - MODA E EU

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  10. Oiii!! Ameei a resenha! Estou com muitaaa vontade de ler esse livro!! Terminei semana passada de ler Muito Mais Que uma Princesa e me apaixoneeeei por romance vitoriano!! Sabes aonde posso comprar esse livro? Já procurei em milhares de sites mas não acho! Beijos!!

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  11. Não goste muito desse livro, posso parecer um tanto preconceituosa, mas eu particularmente prefiro livros em que os personagens falam... :)

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  12. Ai, adoro esse tipo de livro!!
    Adoreeeei o livro! Muito bom mesmo!! Recomendo!

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  13. talvez essa seja a historia de amor que tanto tenho procurado! Digo: tentado ler. A história, de fato, é diferente. Geralmente nesses romances o homem é tão arrogante e arrojado ( tipo preferido de herói nas mentes femininas ) e a protagonista é melindrosa e frágil. Gosto das mocinhas um pouco mais liberais. Tipo uma mistura de Madame Bovary com Julieta.
    Mas esse livro parece carregar um especie diferente de amor, uma amor que não se constrói, simplesmente brota.
    Vou procurar lê-lo para o desafio literário 2013 do Blog da Vivi & Co.
    http://desafioliterariobyrg.blogspot.com.br/p/tudo-sobre-o-dl-2013.html

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