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Maria Fernanda Guerreiro - A filha da minha mãe e eu


Duas fitinhas azuis eram a prova de que Mariana iria se tornar mãe. Felicidade e angustia a assolavam...

Ela queria ter com a filha um relacionamento extremamente diferente do que tivera com a própria mãe, não queria cometer os mesmos erros, não queria fazer seu bebê sofrer da mesma forma que havia sofrido. Queria conhecer sua filha, mas primeiro precisava descobrir-se como filha, a filha de Helena. Mariana filha de Helena - ela não mostrava quem realmente era, mas quem pensava que a mãe gostaria que fosse.

"Decidi me matar. E, de alguma maneira, fazê-la se sentir culapada" p. 70

Helena, mãe de Mariana, também muito sofrera na vida, sobretudo quando sua mãe – avó de Mariana - havia abandonado a ela e seus irmãos depois que seu pai ser preso após matar o amante de sua mãe durante o flagra da traição conjugal.

Helena era uma leoa, adepta da máxima que “em filho meu ninguém encosta”. Mas não sabia se expressar perante os filhos, era dura e não tinha diálogo, não aceitava o papel que Mariana tinha na família.

"Nunca senti medo do meu pai. Já da minha mãe, sim.
Mão era medo de apanhar, era medo de magoar.
Bastava um olhar dela e já sabia que aquela situação de mal-estar,
da gente não se falar direito, iria durar dia.
Eu tinha tanto pavor de ela ficar chateada que,
com o tempo, comecei a fazer de tudo para agradá-la.
Inclusive, muitas vezes, deixei de ser eu mesma" p. 59

“Os bons e maus momentos da família, assim como as inseguranças, os sobressaltos e as primeiras paixões de Mariana, são recordados com simplicidade e sentimento. Pequenos fatos dissecados com maestria e profundidade” Trecho da Sinopse

entre outros, livro retrata o episódio em que Helena fica profundamente irritada depois de ser Mariana a última a beijar seu pai – marido de Helena -, por achar que Mariana estava tomando seu lugar na família; a vez que Mariana não conta logo que apanhou na escola, e ao invés de receber o carinho e compreensão da mãe, é repreendida por não ter contato; retrata a descrença de Helena quando Mariana conta ter sido atacada sexualmente.
São vários e vários os fatos que fazem deste livro ser forte.

Talvez, minha reação ante ele deve-se principalmente por muitas vezes ter me visto passando pelos mesmos problemas de Mariana. Nãããão! Longe de ser os mesmos problemas que ela e chegar ao extremo como ela chegou, tentando, inclusive, o suicídio e pensando no sofrimento da mãe que preveniria... E, sim, por já ter sentido sentimentos similares de não compreender, de não aceitar e, por muitas vezes, não enxergar que também sou capaz de ferir, de fazer mal...

“Eu, que tantas vezes tinha me questionado seu amor,
agora me perguntava: que tipo de amor eu também
tinha dedicado à minha mãe? Afinal, passei anos trancada
em meu quarto, ignorando sua presença. Fui egoísta
querendo que ela se sentisse culpada pelo
meu quase suicídio. Sempre disse que queria sua amizade e,
mesmo sem querer magoá-la, claramente
preferi a companhia de meu pai. Como será que ela se sentia?” p. 117

Apesar de muito ter gostado, principalmente por ter mexido com meus sentimentos, creio que a autora poderia ter enxugado alguns problemas que foram postos na vida de Mariana e ter se aprofundado ainda mais no relacionamento dela com a mãe, principalmente nos trechos finais.

Quando iniciei a leitura, confesso, que esperava um entrave maior da protagonista quando adulta com a mãe. Sem querer dar margem à spoiller, depois de todo o início chocante – pelo menos para mim-, esperava que tivessem ocorridos mais brigas, mais dores e dificuldades. No entanto, mesmo com esses pontos negativos, gostei muito de ler este livro.

A narrativa também me deixou cativada. Já tiveram a sensação de ir lendo, mas parecer que era uma amiga que estava, ao seu lado, falando sobre a sua história de vida? Pois bem, me senti assim.

Uma excelente leitura, mais que recomendado.


Comentários
21 Comentários

21 comentários:

  1. Estou com esse aqui para ler, mas confesso que não estou muito empolgada... e depois da resenha fiquei menos ainda, acho que não é meu tipo de livro...

    beijos,

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  2. Oi Lari!

    Chorei muito lendo esse livro o.O

    Sempre choro com esses enrdos kkk

    Bjs!

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  3. Achei esse livro bem fofo e queria ler também. Gostei, parece legal e leve, bom para passar o tempo.

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  4. Achei esse livro muito bom, por se tratar de conflito dentro de familia, me falaram que esse livro emociona muito quem os le. quero muito esse livro para ver se realmente é o que dissem por ai.

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  5. Cara, estou afim de ler o livro, parece ser demais e emociantes. faz um tempinhos que não leio livros assim.

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  6. Ei, Lari, eu também li o livro recentemente e concordo com tudo o que você disse. Eu também gostei do início do livro, mas o final foi decepcionante para mim.

    Um beijo!

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  7. Oi Lari, sempre achei a história interessante, mas nada que me fizesse ter vontade de ler o livro. Agora que você citou coisas mais profundas que há nele, fiquei com mais vontade.
    Adorei o que você citou sobre as personagens e suas diferenças, acho que, de uma forma ou de outra, todos se identificam com isso.

    Beijos

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  8. Gostei muito da resenha, achei esse livro bem interessante, bem diferente dos gêneros que costumo ler.

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  9. Oi Lari,

    Eu chorei com o fim do livro. Realmente é uma estória muito forte, e quem tem um gênio forte com a mãe de gênio forte, vai se identificar perfeitamente.

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  10. Oi Lari, apesar de um monte de criticas que já li sobre esse livro ainda sinto vontade de le-lo pois sinto que me identificaria com a historia e ia gostar de conhecer mais da historia da Helena e da Mariana

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  11. Oi Lari,
    Assim como você me identifiquei muito com o livro e acho que são essas pessoas que adoram o livro!
    Sim, a história é forte, mas é uma delícia.
    Ver o amadurecimento de Mariana e um outro lado de Helena foi muito bom!
    Amei, fiz resenha no meu blog, mas a sua ficou muito boa!!!!

    Beijos
    Chrys
    Todas as coisas do meu mundo
    @ChrysAudi

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  12. A história trata de um conflito familiar, e quem não tem um na família hoje em dia! Acho um assunto interessante e gostaria de ler este livro, parece recheado de emoções, e dá uma impressão de que podemos nos identificar com os dramas vividos pela personagem principal.

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  13. Gostei do livro, a capa não tinha chamado a minha atenção, mas acho que depois que li a resenha, vou procurar lê-lo assim que possível.

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  14. Oi Lari.
    Eu ainda não tinha visto nada sobre este livro... Fiquei surpresa lendo a resenha, por ver que ele trata de um assunto tão real nas famílias de hoje em dia. Fiquei ansiosa pra ler! rsrsrs
    No meu caso vou achar estranho com relação à mim, que sempre tive boa relação com minha mãe, embora não agisse igualmente com meu pai.

    Gostei da capa! E acho que será uma ótima leitura mesmo, com certeza.

    Fica com Deus,

    beijos!

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  15. Não sei, mas esse livro não me chamou muito a atenção. Mas sou do tipo de pessoa que gosta de dar chances, principalmente para livros. E nesse caso posso até me surpreender positivamente, pois iniciaria a leitura sem grandes expectativas.

    @_Dom_Dom

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  16. O livro parece bom. Porém, ele é diferente do que eu tinha imaginado a principio, ele parece ser um pouco mais intrigante, não sei se pela resenha ou pelo que acontece no livro em si. Não sou muito de ler esse tipo de livro (leio tantos livros que fico até perdida). Mas dou chance a todos e esse não seria diferente.

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  17. Ótimo enredo, tratando sobre relacionamentos familiares difíceis, acendeu minha curiosidade.!

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  18. Gostei muito da resenha! ganhei este livro a pouco tempo, mas ainda não iniciei sua leitura!
    mas pretendo ainda esse mês, estou com uma lista imensa!
    o livro diz muito a respeito do relacionamento dos pais com seus filhos, é um tema que acho que deveria ser abordado como esse foi, pois acredito que com o passar dos tempos será mais dificil manter uma relacação boa com os pais, o mundo ta evoluindo muito rápido e isso é um prejuízo para nós filhos e pais.

    parabéns!
    www.leituradeouro.blogspot.com

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  19. Parece interessante, mas tenho medo de me perder na estória pela mistura de mãe, avó e filha.

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