='cap-left'/>

William P. Young - A Travessia


Olá pessoal. O livro de hoje ‘A Travessia, de William P. Young’ foge um pouco das minhas habituais resenhas.  Não sou avessa à abordagem religiosa e não raramente leio, porém não costumo resenhar no blog por achar que religiosidade deve ser algo a ser discutido entre pessoas que procuram por isso, e o ‘Leituras & Devaneios’ sempre teve uma abordagem mais ficcional. Essa será a primeira experiência de resenha, e espero que gostem, vou resenhar por que gostei muito e gostaria de indicar, mas ressalto que minhas opiniões estão embasadas mais em minha experiência de leitura do que em minha criação predominantemente católica, então não acredito que a religiosidade possa influenciar fortemente a leitura ou o entendimento do livro.

A Travessia
Anthony Spencer é um empresário muito bem sucedido, mas também muito egocêntrico e um tanto paranoico. Órfão desde criança, ele não tem contato nem com o único irmão e está separado após casar-se duas vezes com a mesma mulher – a segunda vez apenas por vingança. É pai de um casal de filhos, sendo uma jovem com quem não se relaciona e um garoto que faleceu ainda criança, o que o tornou mais cético a respeito de tudo e ‘de mal’ com Deus... Completamente sozinho, Tony está passando por um momento complicado acreditando estar sendo seguido, além de obsessivamente preocupado com sua segurança. Tudo isso culmina num colapso cerebral, aliado à descoberta de um tumor, o que o leva ao estado de coma.

Ao “acordar”, Tony está num mundo intermediário/paralelo desconhecido, e segue por uma série de caminhos que o levam a conhecer um estranho que descobre ser Jesus Cristo e uma senhora indígena, a quem passa a chamar de “vovó”, que é o Espírito Santo. Com eles e com um personagem chamado “Jack” (personagem real, cuja identidade é revelada somente na “Nota ao leitor e Agradecimentos”) Tony vai descobrindo como sua vida até então foi feia e vazia.

Mas ele é agraciado com uma segunda chance: mesmo estando em coma, ele poderia voltar à Terra para reexaminar a própria vida e entender onde errou, e com isso procurar a redenção perante a si mesmo, além de ganhar o presente de poder escolher uma pessoa a quem curar. A sua ‘ volta’ se dá de uma forma bem peculiar: Tony consegue entrar nas pessoas e interagir com elas, bem como ver e ouvir o que elas veem e ouvem. Sinônimo de muitos trechos meigos ao entrar num menino de 16 anos com Síndrome de Down, e engraçadíssimos ao entrar numa jovem mulher, apaixonada por um pastor, que pensa estar possuída por um demônio em pleno decorrer do culto.

William P. Young é o aclamado autor do livro “A Cabana”, grande fenômeno editorial com 81 milhões de livros vendidos no mundo - que particularmente me agradou muito - então a perspectiva de ler outro livro de sua autoria era muito agradável, por isso fiquei muito feliz ao receber da Editora Arqueiro a prova do livro.

Eu gostei muito da forma suave com que o autor conduziu sua narrativa, mesmo nos trechos mais tensos, quando Tony se confronta com seus monstros pessoais, uma mixagem exata de seriedade e humor, fazendo com que a leitura tenha um ritmo muito gostoso. Os personagens com os quais Tony interage são muitíssimo interessantes, seja no mundo paralelo, ou na Terra. O garoto com Síndrome de Down, como ficamos sabendo na “Nota ao leitor”, é totalmente baseado numa pessoa que o autor conviveu e isso me cativou pela linda homenagem.

Tony foi um protagonista que me convenceu. Apesar de provocar um pouco de antipatia no início do livro, ele consegue perdoar a si mesmo e com isso também ganha o perdão do leitor.  A única coisa que não gostei muito foi somente da parte em que ele podia escolher  uma pessoa para curar e o fato dessa pessoa já ser ‘jogada’ na trama de forma tão imediata, tirando um pouco da surpresa do final.

Ainda que controversos e por vezes um tanto ‘imperativos’, os ensinamentos de cunho religioso estão ali, inseridos nas conversas de Tony com Jesus, a Vovó e Jack, mas acredito que vai do entendimento de cada um assimilar ou não, afinal cada qual interpreta da maneira que lhe convém. Eu diria que “A travessia” trata-se de uma bela parábola, além de um livro repleto de quotes belíssimos. Tornou-se meu atual livro de cabeceira, ainda pego para reler alguns trechos e já prometi emprestar para duas colegas de trabalho... Recomendo muito!

http://1.bp.blogspot.com/_6Sua73Nf8Cw/TGqKiU9LEpI/AAAAAAAAAJ4/JuYUjdazC1s/s1600/assinatura1.png

Comentários
28 Comentários

28 comentários:

  1. Doida para ler meu exemplar!
    Vai ser meu livro de Natal, assim como A Cabana já foi um dia!

    ResponderExcluir
  2. O livro é bem parecido com a temática do outro livro do autor "A Cabana" aparentemente ele retoma os mesmos preceitos neste livro. Eu não sei de verdade se gostei da Cabana ou não. Acho que esse foi um dos livros que fiquei mais confusa ao ler, é nitidamente de cunho religioso, mas levado de forma muito leve.
    abraços
    Melissa - http://decoisasporai.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. É do mesmo autor de A CABANA, então suponho que é uma garantia de ser um excelente livro. E se eu chorei litros e litros com A CABANA, é bem provável que eu derrame algumas gordas lágrimas com esse aí tb, rsrs... São histórias que transcendem o aspecto da religião e focam exclusivamente no relacionamento homem/Deus, no perdão, no amor incondicional. Livros assim sempre merecem ser lidos. =)

    ResponderExcluir
  4. Olá Sabrina!
    Sabe que estou com a 'A Cabana' há tempos para ler e sempre passo outro na frente, nem sei por que, qdo vejo já peguei outro (hi hi hi).
    Ele parece ser ótimo, gosto de livros do tema.
    Vamos ver se consigo ler A Cabana primeiro... aí quem sabe este não entre pra listinha.

    Bjos e a resenha ficou ótima!

    ResponderExcluir
  5. Que bacana ser o mesmo autor de A cabana
    Sera legal ler o livro e ver o que mais ele tem a oferecer

    Beijos
    @pocketlibro
    http://www.pocketlibro.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. É...eu não li aquele outro e não achei graça nesse. Não é meu tipo de livro, mas acho que vale a pena pra quem gosta desse tipo né?

    ResponderExcluir
  7. Olá :)
    Eu não curti muito A Cabana, não gosto muito desses livros mais religiosos e afins. Não que eu não seja, mas não gosto muito de livro assim. Mas enfim, sua resenha ficou boa e você super recomendou, vou ficar um pouco curiosa. Se eu tiver uma oportunidade lerei :)

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing

    ResponderExcluir
  8. Eu li A Cabana, gostei, mas não é o tipo de leitura que gosto muito, mas acho importante ler coisas de estilos diferentes, sair da mesmice, talvez leia este livro se tiver uma oportunidade.
    Um abraço,
    Gisela
    @lerparadivertir
    LerparaDiverir

    ResponderExcluir
  9. A Travessia,espero que me surpreenda principalmente por se tratar de um livro que leva o leitor a fazer reflexões sobre a vida, e em seguida provavelmente dará início a uma jornada para encontrar algo.

    ResponderExcluir
  10. Eu gosto de livros religiosos..sempre leio e acho interessante, mas A Cabana não me conquistou...foi um dos livros que abandonei , coisa que não costumo fazer.
    Apesar disso, depois da sua resenha que eu gostei muito, fiquei curiosa pra ler A Travessa......

    ResponderExcluir
  11. Nunca me interessei por esse livro, mas a resenha me deixou curiosa, mas pensando bem, prefiro ler primeiro A Cabana antes de lê-lo para eu conhecer a escrito do autor e ver si ela evoluiu!

    ResponderExcluir
  12. Gostei muito do livro e apesar da história ser religiosa, o livro parece bem leve e divertido. Também me interessei bastante por A Cabana, quando puder vou ler.
    Beijos. :)

    ResponderExcluir
  13. nossa que legal esse livro, me despertou muito interesse, e pelo jeito que conta na resenha tem uma abordagem bem legal! to com muita vontade de ler este livro!

    ResponderExcluir
  14. Li a Cabana a alguns anos e apesar de não ser nem de longe o tipo de leitura que me interessa eu gostei muito,.
    Gostei do que li e com certeza vai pra minha lista no skoob.
    Esse Jack me deixou com a pulga atrás da orelha.

    ResponderExcluir
  15. Ahh que eu vou ler, se eu gostei da Cabana, certeza que vou gostar desse tbm \o..... Eu gosto de livros religiosos, mas os que chamam mais pro ficcional me cativam ....

    ResponderExcluir
  16. Gostei da resenha! O livro parece ser bem legal! Fiquei com vontade de ler!

    ResponderExcluir
  17. Li A Cabana, mas pra ser sincera não gostei muito. Acho que ele superfaturou o livro se aproveitando da fama para lançar vários outros exemplares... Enfim, por conta disso não me interessei por este livro!

    ResponderExcluir
  18. Fiquei surpresa com a queda da qualidade literária do autor.
    Li A Cabana e acabei de ler A Travessia, no qual tive também a impressão de uma personagem ser inserida para ser curada sem nenhuma lógica.
    Um livro simples, sem chegar nem perto do que o autor diz pretender; não li como algo "religioso". Um livro que se não acrescenta, também nada tira do leitor.

    ResponderExcluir
  19. Eu li A Cabana e gostei muito, e esse pela resenha que vc fez me pareceu um pouco parecido com o A Cabana. Não gosto muito de livros voltados para a religião, mas pelo que vc falou tem momentos engraçados e o personagem a convenceu. Vou procurar para ler. Não gostei muito foi da capa!
    Beijos
    Adriana

    ResponderExcluir
  20. Uao! "mundo intermediário/paralelo desconhecido" .
    Parece ser demais.
    Mas não gostei muito de "A cabana", então posso não gostar também.
    Mas é só lendo pra saber né?!

    ResponderExcluir
  21. Li A Cabana, mas infelizmente abandonei, mas queria ter a oportunidade de ler outro livro nesse estilo pra ver se eu mudo de ideia, gostei da resenha.

    ResponderExcluir
  22. Queria entender esse Jack também, pois nem nos agradecimentos o autor explica quem é Jack, ele fala:

    " Continuo a ser inspirado pelos membros do grupo literário conhecido como Inklings, especialmente C. S.Lewis (mais conhecido por seus amigos como "Jack"). "

    Isso, pra mim, não é explicar que é Jack.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sofia, há todos os indícios...
      1°- Você já viu alguma foto de C. S.Lewis?
      2° - Leu a descrição de Jack no livro?
      3° Leu sobre a data da morte e a nacionalidade?
      Não tem erro... Dá uma 'googlada' ái, rs
      Bjkusssssss

      Excluir
  23. Acho que os personagens como Jesus e a Vovó são muito parecidos com os da Cabana, mas o personagem principal, o Tony, no começo ele é mega horroroso, mas a transformação que Jesus faz durante o coma, o faz um personagem mega apaixonante. Recomendo o livro para quem gosta e se identifica com temas bíblicos e religiosos.

    ResponderExcluir
  24. Achei a cabana muito cansativo. Não consegui chegar ao final.

    ResponderExcluir
  25. Eu já li A cabana 3x. Acho q como o autor disse, vc tem que ler A cabana como uma oração.E principalmente com o coração aberto. Todas as vezes que eu li eu chorei. Acho que a relação pessoal entre o homem e Deus é o que realmente importa e não as religiões. Estou super curiosa para ler A travessia, um amigo já ficou de me emprestar. Depois de ler esse resenha então , a curiosidade só aumentou. =)

    ResponderExcluir
  26. Tive uma experiência sagrada extraordinária ao ler este livro.

    Esse livro me foi entregue por um primo "A" (duas horas antes de sua morte. Ele que tinha 52 anos de idade, e estava internado no leito 17 da CTI do hospital (mesmo leito do Tony - protagonista) O primo "A" teve aneurisma e pneumonia, (= Tony), e leu o livro em 4 dias que passou na CTI. Ao visita-lo no dia de sua morte, ele me disse que ali dentro estava a sua história, pediu que eu lesse e entenderia. Esse meu primo estava perdido na vida pois não conseguia entender as premonições que tinha. Um mês antes ele me contou que há dois anos atrás tinha tido a visão da morte de um garoto e foi lá avisar sua mãe para leva-lo ao médico. Na semana passada descobri que o garoto se chamava Gabriel, apelido "Gab" e tinha 5 anos de idade (= o filho do Tony) Mais um detalhe, descobri que o Gab real faleceu no dia 20 de Abril de 2011, enquanto que no dia 20/4/13 faleceu tbém o meu primo, logo após ter me passado o livro "A travessia". Tenho dúvidas se o livro se trata mesmo de uma ficção, parece mais o diário de vida do "A". Ainda estou impressionada com as outras semelhanças que não dá para conta-las todas aqui.
    Maria Conceição

    ResponderExcluir
  27. Ja li a cabana e gostei muito,nao vejo a hora de ler esse livro,super interessante.

    ResponderExcluir