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Jane Austen - A Abadia de Northanger

Olá pessoal!  A resenha de hoje é de um livro de Jane Austen, eterna dama dos romances e criadora dos irresistíveis mocinhos Mr. Darcy, Capitão Wentworth, Mr. Knightley e de suas opiniosas heroínas Elizabeth, Anne e Emma, nos respectivos Orgulho e Preconceito, Persuasão e Emma. Seus livros se perpetuaram e ainda hoje rendem incontáveis fãs, à medida que cada reedição é lançada ou suas adaptações – sejam teatrais, televisivas ou cinematográficas  – são colocadas em evidência. Bora conhecer/relembrar mais um de seus livros?


A Abadia de Northanger 
Jane Austen

Catherine Morland, nossa mocinha avoada, é a quarta de 10 filhos e a última pessoa que teria inclinação para ser heroína. Seu pai era um eclesiástico, sua família era respeitável, e embora não fossem ricos, também não chegavam a ser pobres. Catherine herdou dos Morland durante muitos anos a característica de ser igualmente feia;  tinha tendência a não se importar com coisas de ‘damas’ como pintura, música, dança, jardinagem; muito ao contrário, preferia as brincadeiras dos meninos.  Mas, dos 15 aos 17 anos, sua aparência mudou e ficou quase bonita, começou a cachear os cabelos e se interessar por bailes, além de ler os livros da moda que lhe abasteceriam a memória ‘com aquelas citações tão úteis e tão reconfortantes nas vicissitudes de sua agitada vida’. Mas algo ainda estava errado: se não havia interesse do sexo oposto, como poderíamos ter um romance? A reposta é breve:

"Mas quando uma jovem tem de ser heroína, 
nem a perversidade de quarenta famílias ao redor podem impedi-la. 
Algo deve e vai acontecer que lançará um herói em seu caminho." 

Os Allen, vizinhos dos Morland, é que fizeram este ‘algo’ acontecer quando convidaram Catherine para uma estada em Bath, onde o Sr. Allen trataria de sua doença da gota. Desta forma, Catherine é inserida na sociedade sem grandes pretensões, pois não conhece ninguém e tem somente a companhia da Sra. Allen. Mas tudo muda quando a Sra. Allen encontra a Sra. Thorpe, e esta lhe apresenta suas filhas, dentre elas Isabelle Thorpe, que tem idade aproximada de Catherine. Logo elas se tornam ‘grandes amigas’... e não é uma coincidência que Isabelle seja irmã do amigo de Oxford do irmão de Catherine? 
Nossa heroína também conhece Henry Tilney e sua irmã Eleanor, e a esta dedica amizade sincera igualmente retribuída. Mas Catherine se interessa por Henry, sentimentos e felicidade que Isabelle não compartilha por motivos que somente os eventos seguintes podem demonstrar:  quando o irmão de Catherine, James,  chega a Bath e começa a cortejar Isabella, John, irmão de Isabelle, quer ‘pegar carona’ e ter sua chance com Catherine. 

Inicia-se então o martírio de Catherine: querendo estar com os amigos Eleanor e Henry, mas sendo ludibriada por Isabelle, John e James. Isabelle insiste em sua companhia, mas esquece-se totalmente da ‘amiga’ para ficar com James e a deixa à mercê de John, que, creiam-me, é tão detestável quanto Henry é amável.
Vale lembrar que a criação simples de Catherine a fez uma criatura de coração bondoso, temperamento alegre, franco e sem afetações, ela não está preparada e não entende os ‘joguinhos da sociedade’, em suma, é bastante ingênua. 
Quando aceita o convite dos Tilney para uma estada na ‘Abadia de Northanger’, local que somente o nome imponente já a fazia lembrar-se dos castelos assombrados, sua imaginação criará asas, pois estará altamente influenciável pelos romances góticos que lê e pelas provocações de Henry.  Lá, recebe a notícia de que Isabelle desfez o compromisso com seu irmão (quando soube que o enlace não a deixaria tão abastada quanto pensou) para poder ficar com Frederick – irmão de Henry e Eleanor – , desejo que não vingou, pois o general Tilney jamais consentiria no matrimônio de qualquer um de seus filhos com alguém de condição financeira inferior. Catherine não acredita, pois o General Tilney sempre a tratou com deferência, independentemente das não tão vultuosas posses de sua família... será?

A mesma autora capaz de digladiar tão lindamente sobre “Razão e Sensibilidade” me surpreendeu demais com seu hilariante livro. O exemplar de A Abadia de Northanger que li faz parte da Coleção Clássicos de Bolso,  publicado pela Editora Martin Claret em 2010, 274 páginas. A capa é muito fofa, reproduzindo o quadro “A Girl” de  Lord Frederick Leighton (1830-1896), pintor e escultor inglês.

Gostei muito do enredo e dos personagens: Henry é um fofo, às vezes sarcástico, mas na maioria das vezes muito divertido; John Thorpe é um personagem caricato e grosseiro, o tipo vaidoso que ‘se acha’ e ‘conta um conto e aumenta um ponto’, e um dos responsáveis por colocar Catherine numa saia justa;  Isabelle uma jovem bem fútil e interesseira. Mas Catherine simplesmente reina: é uma mocinha bem avoada que não entende certas maquinações ao seu redor, não é versada nas mazelas da sociedade, o que propicia diálogos e descrições divertidíssimos, como quando é pedida em casamento e consente sem nem perceber o que está acontecendo, ou ao ignorar quão falsa é a amizade de Isabelle e que ela e John boicotavam sua amizade com os Tilney propositalmente.
O retrato da sociedade não é tão fiel, visto que o livro trata-se de uma sátira de certos comportamentos, mas é visível a ardente defesa da autora pela ‘leitura de mulherzinha’, ou os romance góticos que estavam em voga na época, como The Mysteries of Udolpho de Ann Radcliffe e outros.

A Abadia de Northanger foi concluído pela autora em 1803, sendo então vendido a um livreiro que não o publicou, fazendo com que o livro ficasse ‘parado’ durante 13 anos. É um esclarecimento da autora logo ao inicio do livro, a fim de avisar ao leitor sobre pormenores citados, que talvez pudessem fazer-se obsoletos, como por exemplo, os livros e lugares da moda citados, etc.  {Se 13 anos provocam tantas mudanças, imaginem então 210, para que, como eu, leu em 2013 (risos)}. Enfim, o passar dos anos séculos faz tão bem aos livros da Jane Austen tal qual faz a passagem do tempo para um bom vinho. Degustar A Abadia de Northanger no século XXI com certeza foi muito mais saboroso do que teria sido no ano de sua publicação.
Recomendo muito para quem tem vontade de ler os clássicos da Jane Austen, mas em medo de se decepcionar. Leitura muito agradável, com ritmo gostoso e aquela sensação de estar ouvindo uma amiga contar uma história, como o estilo de narrativa escolhido pela autora propicia. Riso garantido!

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Comentários
10 Comentários

10 comentários:

  1. Oi Sabrina, adorei sua resenha! Me identifiquei por que como fã de Austen fiquei apaixonada pela comédia na história e depois os nuances de terror. Ela e diva, e não tem pra ninguém!

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  2. Nossa, quero tanto ler esse livro!!!! *-*

    Adorei o post!!

    Beijoooos

    http://kastmaker.blogspot.com/

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  3. Muito bom esse livro dela, eu adorei ler. Uma graça de romance e bem feito, você se sente na história (aah, eu me senti. Queria...). ótimo pra quem gosta de históricos e antigos.

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  4. Sou fã de Jane Austen, li o livro assisti ao filme.
    Catherine lembrou um pouco de Lizzie, é interessante as protagonistas de Jane,mocinhas que deveriam se conformar e escolher sua sorte, mas não, são mocinhas um pouco rebeldes,a frente de seu tempo como Jane,que com certeza colocava um pouco de si mesma em seus livros.
    Também adorei o enredo e os personagens.

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  5. Viviane dos Anjos17 de abril de 2013 19:54

    Amo qualquer livro da Jane Austen, e A Abadia de Northanger não decepciona, foi escrito na medida certa romance e drama, onde trocemos muito pela mocinha/heroína.

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  6. Gosto demais dos livros da Jane Austen, ela trata de coisas cotidianas, mas de uma maneira tão linda que me encanta, não li esse livro ainda, mas gostei da historia, com certeza vou querer ler.

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  7. Nossa, também me surpreendeu bastante esse livro, acho que não esperava tanto. E sim, o Henry é um lindo hahaha

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  8. Estou louca para ler esse livro desde que vi a sua capa pela primeira vez. Participei de um sorteio dele num blog e cheguei a ganhar o sorteio mas não vi o livro até hoje. Agora, resolvi que vou comprá-lo para ler. Gostei muito da sua resenha.

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