='cap-left'/>

Entrevista: Ricardo Ragazzo

Continuando as entrevistas com autores, desta vez entrevistaremos Ricardo Ragazzo, autor de  72 horas para morrer e A garota das cicatrizes de fogo, lançamento que parece ser imperdível!

Para conhecer mais sobre o autor, o siga nas mídias sociais: www.facebook.com/escritorragazzo e @ricardoragazzo.

"Bora" conhecê-lomais?
Com vocês Ricardo Ragazzo: 

O que você gosta de ler? Qual livro você tem atualmente na cabeceira? Fale-nos um pouco sobre ele.
Eu leio bastante suspense. Stephen King, Dean Koontz, Harlan Coben, Jeff Abbott, Jeffery Deaver, Lindwood Barclay. Gosto também do gênero terror. Autores como Richard Kadrey, Jack Kilborn, Richard Doetsch, Tim Weaver. Agora entrei de cabeça também no YA, uma vez que pretendo colocar minha pegada de suspense como escritor e mesclar com esse gênero fantástico. Meu novo livro “A Garota das Cicatrizes de Fogo” tem essa mistura bem acentuada. Nesse momento, estou lendo “Cidade dos Ossos” e a HQ da Torre Negra dos Stephen King.

Como foi sua formação como leitor, como você foi apresentado aos livros?
Eu sou ancião, então cresci lendo a coleção vagalume no final da década de 80. Depois, durante o colegial, parei de ler. Naquela idade não curtia muito os clássicos como José de Alencar, Eça de Queiroz e outros, e como eu era obrigado a ler, pois esses livros caíam nas provas da escola, comecei a associar a leitura a algo chato. Recuperei o hábito depois, já na faculdade.

Seu encontro com os livros influenciou seu desejo de ser escritor? A resposta preferida do menininho Ricardo ao ser questionado sobre sua profissão sempre foi “Quando crescer vou ser um grande escritor!”?
Pior que não. Sempre quis ser advogado. Nunca imaginei que poderia ter esse dom de escrever. Na verdade, isso começou anos mais tarde, com o RPG, mestrando campanhas para meus amigos. Ao ver as tramas que eu elaborava, eles começaram a me incentivar a escrever um livro. Foi mais ou menos aí que a semente foi plantada.

Como você vê o futuro online? A internet abre portas para os autores, ou pode prejudicar, dado o grande fluxo de pessoas tentando uma oportunidade?
A internet sempre abrirá portas e isso é muito bom. Com a vantagem de, em muitos casos, nem precisar haver um investimento financeiro, bastando o conhecimento. O problema é que essa vantagem pode ser a âncora que impede a pessoa de deslanchar, pois muitos não se preparam corretamente para o mercado (seja ele qual for). E sem preparo, seja no mundo real ou virtual, ninguém vai muito longe.

Qual dica você daria aos jovens escritores? Quais as dificuldades que você enfrentou para publicar seus livros? Fale sobre um pouco de sua experiência pessoal.
As minhas dificuldades foram as mesmas da grande maioria. Muita concorrência, pouco espaço, coisas do tipo. Uma coisa que fiz, e que aconselho todos que estão começando a fazer também, é se preparar para o mercado. Buscar entender como funcionam as coisas. Saber, por exemplo, o motivo de um autor receber “apenas” 10% do preço de capa da obra que escreveu. Entender quais são os custos da editora na hora de produzir e distribuir seu livro no mercado. Aqui no Brasil, ainda acho que os autores iniciantes dependem sim de boa distribuição para serem lidos pelo país, e, para isso, é necessário a parceria com boas editoras. Lá fora, o mercado de e-book é muito mais aquecido, o que permite aos autores independentes uma chance maior através da internet. Aqui embaixo, o número de vendas de livros em formato digital ainda é muito, mas muito pequeno mesmo. Ênfase no “ainda”, pois o futuro do mercado, ou pelo menos grande parte dele, estará concentrado lá no futuro.
Outra coisa que eu recomendo a quem começa é buscar conhecimento sobre como melhorar sua narrativa, estruturar melhor sua trama, há diversas técnicas de storytelling por aí que ajudam e muito a fluidez do nosso texto.

Dos novos autores nacionais, quais você muito recomenda?
Não queria citar nomes para não me esquecer de alguém, mas seria injusto não citar alguns que eu me lembro agora. Vamos lá (A ordem é aleatória): Chico Anes, Ricardo Valverde, Carol Sabar, Raphael Montes, Samantha Holtz, Laura Conrado, Felipe Castilho são exemplos de autores que fincaram de vez seus pés no atual cenário da literatura nacional. Há muitos outros também com muita qualidade atualmente. A própria Novo Século vêm publicando boas promessas da nossa literatura.

Você faz muitas pesquisas, “incuba” ideias, ou parte direto para a escrita? Sempre tem em mente qual vai ser o próximo acontecimento ou seus personagens acabam tomando rumos próprios?
Quando eu comecei a querer escrever, pensei em cinco premissas para livros diferentes. “72 horas para morrer” e “A Garota das Cicatrizes de Fogo”, curiosamente, não estavam entre essas ideias. Meu próximo livro será uma dessas premissas antigas.

Tem alguma rotina para escrever? Ouvir músicas? Algum horário em específico? Algo mania?
Eu tenho um casal de filhos. O menino vai fazer cinco anos e a menina, dois. Quem é pai sabe que “rotina para escrever” com crianças dessa idade é algo impossível de acontecer. Atualmente, eu aproveito os momentos de paz que há em casa, no trabalho. O que costumo fazer antes de escrever é ouvir algumas músicas antes de iniciar. Se for escrever uma cena “porradaria” coloco um Death Metal no IPod e entro no clima; Se for algo mais light, ponho uma música metal mais light. Porém, o estilo é sempre esse.

Como você lida com as críticas?
Já escrevi sobre isso em algumas entrevistas e sempre cito a resposta que Mário de Andrade deu a um poeta iniciante que falou para ele que tinha vergonha de mostrar seus trabalhos para outras pessoas: “Quem se mostra, é por vaidade; quem não se mostra, também é por vaidade”. Gosto de citar isso porque é da natureza humana sermos vaidosos e, até por isso, precisamos saber lidar muito bom com as críticas que recebemos daquilo que colocamos no mercado. No meu caso, o “72 horas para morrer” é um livro bastante polêmico em razão do final, portanto acostumei em receber elogios e críticas acerca disso. Autor tem que saber que as pessoas são diferentes e, por isso mesmo, terão opiniões distintas sobre sua obra. O importante é comportar-se profissionalmente, e NUNCA, NUNCA MESMO, bater boca com quem criticou sua obra.


Houve uma brincadeira correndo entre as blogueiras que é bem interessante, pois é inocentemente reveladora e, ao mesmo tempo, um bem necessário às relações tão “superficialmente profundas” que a internet nos proporciona. Gostaria que você concordasse em realizar, e dar ao leitor uma oportunidade de conhecê-lo mais afundo...

Ricardo Ragazzo versus 7 Pecados capitais.

=> Avareza – Sou contido com dinheiro. Bem contido mesmo. kkkk
=> Soberba – Esse é um pecado que não combina comigo. Quem me conhece, sabe.
=> Gula – Por livros. Tanto que, com livros, a gula supera a avareza.
=> Ira – Pequei muito. Depois de um início de ano complicado, abandonei de vez.
=> Inveja – Eu invejo apenas quem já vive somente de literatura no Brasil. São heróis e exemplos.
=> Preguiça – Sou bastante preguiçoso. Inclusive, acredite se quiser, para escrever, algumas vezes. Quando bate a preguiça, corro assistir um DVD ou ler um livro.
=>
 Luxúria – No sentido original, Luxúria significa “deixar-se dominar pelas paixões”. Meu ponto fraco é a família, e é nesse sentido que eu “peco” na Luxúria.

Nem só de pecados vive o homem... Qual considera ser sua maior virtude?

O que eu peço em todas as minhas orações diárias é algo bem clichê: “Quero ser uma pessoa boa”. Acho que esse meu lado bom, de querer ajudar os outros, é minha maior virtude e, talvez, seja o que mantenha tantas pessoas próximas de mim, apesar de tantos outros defeitos.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. O livro A garota das cicatrizes de fogo parece ser muuuuuuuito bom!!!
    Adorei a entrevista.

    Beijo

    ResponderExcluir