='cap-left'/>

Kathryn Erskine - Passarinha




“O que não consigo descobrir é por quanto
tempo a gente consegue fazer um Coração funcionar depois que
ele leva um tiro e se os outros órgãos do corpo podem fazer
o trabalho dele e se o hospital  pode manter a pessoa viva sem
ele e se a gente é a mesma sem ele  e se a gente ainda é gente.” p. 45

O irmão mais velho de Caitlin havia sido morto em um massacre em sua escola secundária,  fazendo com que o pai da garota estivesse devastado desde O dia em que a Nossa vida Desmoronou.

Caitlin também estava. Inegável que preferia estar com seu irmão mais velho, ele que sempre fora tão carinhoso com ela, sempre tão amável, a instigando a aprender... Ela era estudante da quinta série com autismo, precisamente a síndrome de Aspenger que, segundo pesquisa da internet, é uma síndrome em que as principais características são: dificuldade de interação social, dificuldades em processar e expressar emoções (este problema leva a que as outras pessoas se afastem por pensarem que o indivíduo não sente empatia), interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças em sua rotina, pessoas desconhecidas, ou que não vêem há muito tempo, comportamentos estereotipados.

A SRA. JOHNSON DEVOLVEU O MEU trabalho em grupo. Ela escreveu Bem Pesquisado e Muito Interessante e Excelente mas embaixo ela também escreveu, Por que você usa maiúsculas no meio das frases? Não se usam maiúsculas em substantivos comuns. Só as palavras especiais levam maiúsculas. Olho para o parágrafo. Não usei maiúsculas no meio das frases. Elas estão no começo de algumas palavras. Ela colocou um X em cima do C de Coração e escreveu um c minúsculo. Não parece certo desse jeito. Tenho certeza de que ela  está errada em relação às palavras especiais e às letras maiúsculas mesmo sendo a professora. Como pode existir alguma palavra mais especial que Coração?

Muito literal, ela também tinha dificuldade com cores. Via tudo no preto e branco, pois as cores se misturavam a deixando confusa.
A menina não tinha amigos. E nem queria tê-los. Achava sempre tão complicado se relacionar, afinal havia a limitação de sua síndrome.

“Olá, diz a Sra. Brook, você chegou muito cedo.

Eu sei. Eu disse à Sra. Johnson mas ela falou que estava na hora de ver a senhora AGORA.
 Ela está tendo problemas para Captar O Sentido hoje.

Ah. Vamos Conversar Sobre Isso.

Explico a ela sobre o trabalho em grupo.
Caitlin. Quando uma professora diz que quer que você faça
uma coisa isso quer dizer que você deve fazê-la.

Ora então por que ela não disse logo?

Ela disse de uma maneira gentil.
Não disse não. Ela disse de uma maneira confusa.
 E ela deveria ter pedido POR FAVOR se estava tentando ser gentil.

Isso teria ajudado? Se ela tivesse pedido por favor?

(...)
Tenho certeza de que você pode fazer um trabalho em grupo
maravilhoso mas colaborar com um grupo também tem o seu valor;
Que valor?
Fazer amigos.
 Eu já tenho amigos.
Me fale dos seus amigos.
Meu dicionário. Minha tevê. Meu computador.”


Caitlin começou a ter terapia na escola... Dentre  as ações adotadas pela profissional foi inseri-la em um intervalo de escola para crianças menores. E não foi que fez um amigo? Um menino que também havia perdido um ente querido no massacre...

Ela também inicia uma busca para um Desfecho, por achar que assim se sentiria melhor com a morte do irmão.

“Você sabe como chegar à vivência da conclusão
 emocional de uma situação de vida difícil?
O quê?
Desfecho. Você sabe onde arranjar um?” p. 75

“Mas afinal o que é Desfecho?
É uma coisa que ajuda você a sentir melhor quando alguém morre.
Ah. Pode me dar um pouco?
Não porque eu não tenho e nem sei como conseguir.” p . 92


Além da procura pelo Desfecho, a garotinha tinha que aprender algo muito importante: ter empatia, se colocar no lugar dos outros e, assim, poder ajudá-las de alguma forma, mesmo com uma simples palavra. E é aqui o ponto forte do livro, em que pese ser narrado do ponto de vista da situação difícil da personagem, a mensagem que me restou foi que Caitlin tem a desculpa de ter a síndrome, mas e nós,  que temos um sentido normal, e  não deixamos de ser egocêntricos e não compreendemos uns aos outros?

“Acho que eu não vou gostar nada disso. Acho que vai doer.
 Mas talvez depois da dor eu consiga fazer
uma coisa boa e forte e bonita de tudo isso.” p. 167.

Claro que é romanceada, em algumas partes até demais... Mas isto não tira o mérito, Passarinha é um livro incrível! Tal fato é totalmente perfectível ao avistar a extensa listas de prêmios que ganhou:  National Book Award 2010;  Eleito para o “100 livros para ler e compartilhar”, da Biblioteca Pública de Nova York (Literatura Infantojuvenil;  Obra Notável para Crianças pela American Library Association’s; Melhor Romance para Jovens da American Library Association... Isto que só coloquei alguns!

Ou seja, olhem o calibre do livro!
Claro que sei bem que não é porque o livro recebeu tantos prêmios que iria gostar da leitura, ainda hoje não consegui gostar de grandes nomes da literatura... Todavia, Passarinha foi uma leitura que conseguiu superar as expectativas de tudo que já havia sido falado.

O livro é tocante! Apesar de nada saber sobre a Síndrome de Aspenger, não sabendo nada dos sintomas, e a autora podendo estar toda equivocada, me passou um sentimento de verdade tão grande. Sorri a cada conquista de Caitlin, sofri pela dor da pequena garotinha e de seu pai, ri com algumas situações engraçadas... Fui totalmente absorvida pela leitura.

Destaque também para a narrativa singular realizada em capítulos curtos e ágeis que, como a própria tradutora relata no início do livro,  é um “romance de sincronicidades, em que todas as imagens se encadeiam perfeitamente para formar uma totalidade viva.”

Só fiquei encasquetada com a falta de vírgulas no texto. São raríssimas. Obviamente trata-se de um recurso para que o texto fique rápido, sem interrupções, e de acordo com a linguagem dificultada de um Aspenger,  mas ainda não sei se preferia encontrá-las...

Um livro simples, mas extremamente cativante.

“Extraordinário... uma tocante e inspiradora obra-prima.” Publishers Weekly.


click to zoom
Mais informações em: 
@EdValentina - Facebook da Editora


Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. Quero muito ler Passarinha devido o tema: espectro autista.

    ResponderExcluir
  2. Esse livro parece ótimo, adoro livros que envolve crianças com problemas!
    Um beijo
    http://abcddolivro.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Sindrome de Asperger já me faz lembrar de O Projeto Rosie, que eu amei de paixão. Bem, esse livro parece ser diferente- e talvez não faça muito o meu estilo mas parece ser muito bom e tocante.

    bjs!

    Thaís

    ResponderExcluir
  4. Adoro leituras assim: verdadeiras, possíveis. QUe falem de algo sensível e profundamente delicado. QUero tanto ler esse livro! A ausência de vírgulas realmente pode incomodar a princípio, mas tb deixa ao leitor alguma interpretação pessoal, gosto do recurso e da necessidade de raciocinar e até decidir.

    ResponderExcluir
  5. Comprei esse livro assim que li a sinopse.....ainda não li, mas será uma das próximas leituras....
    Adorei a sua resenha.......fiquei ainda com mais vontade de lê-lo......
    E a capa é muito bonita!

    ResponderExcluir
  6. Eles livros que usam situações delicadas estão em alta, e com muitos elogios. Acho muito interessante, mas tenho medo de ler e acabar chorando adhdaudahdau , mas eu gostei desse livro, me chamou muito atenção a personagem ser uma criança! Acho que esse eu gostaria muito de ler. Adorei a resenha *_*

    ResponderExcluir