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Sylvain Reynard - O Julgamento de Gabriel


O Julgamento de Gabriel
Sylvain Reynard

O Julgamento de Gabriel (Editora Arqueiro/2013 – 384 páginas) inicia exatamente onde o Inferno de Gabriel se encerrou. Eles acabaram de ter uma maravilhosa primeira noite de amor e ainda estão naquela de se curtirem intensamente como se o mundo fosse acabar amanhã. Acredite, o leitor até fica com aquela sensação de voyeurismo depois das mais doces declarações e de encontros pra lá de sensuais.

Às vezes até o mais puro amor pode ter conseqüências devastadoras => O Inferno de Gabriel, primeiro volume da serie (resenha aqui) acabou de forma tão doce que esta advertência na capa de O julgamento de Gabriel até assusta. Mas não se engane: nossos pombinhos estão arrulhando como se fosse uma eterna primavera; são lindos, jovens, estão apaixonados e o amor é lindo.

Gabriel e Julia se sentem livres, fora do vínculo professor/aluna com o fim do semestre. Mas essa sensação é mesclada por fantasmas já conhecidos, pois Julia continua insegura... {ok, insegurança é puro eufemismo, porque Julia é tão medrosa que em certa altura tenho vontade de chacoalhá-la e dizer: Acorda menina! Você carrega o coração de Gabriel O. Emerson nas mãos e fica de lengalenga?}

 Se Julia tem fantasmas em seu passado que a fazem infeliz, Gabriel tem muito mais cicatrizes. Ele é aquele tipo de personagem cuja redenção é um milagre, e Julia foi este milagre. Por causa disso, ele tende a idealizá-la além da conta como sua Beatriz, com atitudes superprotetoras que não a deixam crescer. Ainda há Paulina – grande ícone de seu passado que sabe tocar em seu ponto mais fraco como ninguém – e também Christa, uma ex-aluna rejeitada que toma conhecimento do recém relacionamento e faz denúncias maldosas ao Comitê Disciplinar que colocam em risco a paz do casal e suas carreiras profissionais.
Tanto amor e sonhos de felicidades agüentariam os açoites de um julgamento sem perdão?

—Eu vaguei pela escuridão em busca de algo melhor, de algo real.
Encontrei você e prefiro ir para o inferno a perdê-la.
(Página 110)

Estou me esforçando ao máximo para não soltar nenhum spoiler, mas é para o bem de Julia que Gabriel precisa passar por um auto-exílio forçado. Este tempo de separação é triste, e o leitor se sente angustiado com o sofrimento dos personagens. Longe de todo o magnetismo de Gabriel, Julia se dedica ao término de sua dissertação e retoma a relação com o pai, sempre apoiada pelos amigos. Julia continua com o tratamento com a terapeuta e se esforça em tudo. Ela cresce, mas não esquece jamais. Enquanto isso Gabriel está em sua jornada sabática, viajando e vivendo experiências que prometem curar suas feridas e torná-lo um homem melhor. Conseguindo perdoar-se a si mesmo pelo passado, ele poderá ser livre para dar o futuro do qual Julia é merecedora.

Claro que ele volta para e por ela, determinado a reatar o relacionamento de onde parou.

...E claro que essa entrega mútua é linda e reveladora: O pecador foi restaurado e seu anjo sempre o guiará. Mas, neste ponto, em vez de me sentir conquistada pela história, tanto romantismo exacerbado até me enfureceu! Ei, este foi o mesmo cara que sumiu sem maiores explicações, não se dignou nem mesmo dar a mínima justificativa, e abandonou a mulher que dizia amar mais que a própria vida?

Um retorno ao bosque onde tudo começou foi uma estratégia cruel da autora, assim como as coisas que Gabriel diz à Julia. Se ela não o perdoasse, com certeza qualquer leitor perdoaria, incluindo esta que vos fala (risos).

Finalizo a resenha na espera no terceiro e último livro – A redenção de Gabriel – que acredito ser tão necessário quanto indispensável à trilogia. Sylvain Reynard precisa se reconciliar com seus leitores após este segundo livro tão ‘Lua Nova’, e eu espero que esta redenção dupla – dos personagens e do autor – traga grandes surpresas e uma conclusão irrepreensível, pois esta trilogia está sendo muito linda, figurando entre meus livros preferidos! Como não recomendar?
[...]"E cantarei agora aquele segundo reino
No Qual o espírito humano se purifica
E torna-se digno de ascender ao Paraiso"[...]
- Dante Alighieri, Purgatório, Canto 1.004-006

Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Eu tenho MUITA vontade de ler essa série, me falaram que ela não tão hot quanto aparenta ser né?
    Mesmo assim ele parece um livro muito bom, fiquei meio "pulandinho" sua resenha com medo de pegar algum spoiler, mas não encontrei nenhum incoveniente....heheheh
    Bjus,
    =]

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  2. Tenho uma amiga que lê a série e é perdidamente apaixonada por ela. Não curto muito esse tipo de literatura, por isso ainda não dei a devida chance à obra. Mas, pra mim, o enredo soa até que diferenciado e interessante. E com o jeito envolvente e poético com o qual você escreveu... Não tem como não ficar curioso, não é? *-*
    Adorei a resenha, adorei mesmo! Mil beijos!

    Achou o Quê?:
    http://achouoque.blogspot.com.br/

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  3. Já li muitas resenhas e comentários sobre esse livro e sempre que leio mais uma, fico na expectativa de que vou poder adquiri-lo e matar minha curiosidade. Aliás, preciso ter a trilogia para ler. Gostei muito da resenha.

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  4. Eu já ouvi falar muito bem e muito mal, por alguns comentários de alguns comentários de algumas coisas que ele faz, acabei deixando essa série de lado, mas vou ler, afinal agora todos me dizem que o final é maravilhoso, mas homem que chama mulher de P*** não me agrada, mas vamos lá.

    Saudades, meninas!

    Faby - Blog Adoro Romances de Aracaju

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  5. Eu já ouvi falar muito bem e muito mal, por alguns comentários de alguns comentários de algumas coisas que ele faz, acabei deixando essa série de lado, mas vou ler, afinal agora todos me dizem que o final é maravilhoso, mas homem que chama mulher de P*** não me agrada, mas vamos lá.

    Saudades, meninas!

    Faby - Blog Adoro Romances de Aracaju

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  6. Estou em dúvida sobre ler esse livro. Pelas resenhas, ele parece ter uma história e uma escrita boa, mas é erótico... e 50 tons de cinza me traumatizou muito. Quem sabe eu dê uma chance.

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